Friday, February 12, 2010


"A verdadeira viagem é aquela que não se faz, já está em nós..."

(Gustavo Adonias)




ETÉREAS VIAGENS


Com um velho gosto de sangue na boca

E o corpo calejado

Viajei tantas milhas

Por ilhas perdidas no arrebol


Estive nos quatro cantos

Deste mundo nauseabundo

Como em uma nau minúscula

Jogada em uma tempestade


Vi mil povos, de mil e um países

Todos com suas angústias específicas e universais

Com suas ruínas obscuras

Que preferem esquecer


Estive em florestas tão densas

Que pareciam me sufocar

Molhadas por uma água eterna

E um calor inclemente


Visitei desertos tão secos

Asfixiando o desejo de sobreviver

Sobrevoei cidades de pedra

E outras modernas

Onde o vazio é o mesmo


Conheci tantas línguas

Todas elas mudas

Na linguagem do coração


Vaguei por toda a Terra

E o cosmo insondável


Vivi tudo isso

Com as asas da alma

Sem sair do lugar...



(Gustavo Adonias)




*Poesia registrada na Biblioteca Nacional*

2 comments:

Cláudia Campello said...

...demais!!! tudo lindo.
perfeito sentir.....expor assim.
alma....levando nada de um tudo que nao nos deixa mentir. amamos sem mto compreender e compreendemos o que ninguem mais acredita ser.

queria ser poeta como vc.

adorei o blog. todo ele.

bjssssss;

Graça said...

...tudo que sofreste não foi em vão, esteja certo!!!

"com as asas da alma sem sair do lugar" é ainda mais poético, e por que não dizer: divino!

Amigo, amei seus poemas e voltarei aqui nesse seu espaço.

Veja poema semelhante, de minha autoria, se lhe apetecer:

http://recantodasletras.uol.com.br/poesiasbucolicas/2010639

Não sou poeta, sou professora de Letras e arrisco algumas coisinhas aqui e ali, apenas!

Um grande abraço!
E meus parabéns pelo seu estilo.